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Aqui é disponibilizado mais um trecho recentemente redigido e relativo ao dossiê sobre as desigualdades, trata-se da sequência e conclusão referente à critica da segunda parte do que descrevo como retórica das desigualdades, parte esta que diz respeito à associação do suposto aumento ou variação das desigualdades e a evolução de algumas variáveis socioeconômicas. Dando então término a esta etapa, se pretende apresentar a ideia geral de que mesmo que consideremos por puro exercício de estudo o argumento sobre a evolução das desigualdades, ainda resta que boa parte das análises negligencia o papel de um elemento explicativo que poderia ser significativamente importante: o próprio governo. Sublinhemos que o que se desenvolverá aqui é uma espécie de apelo procurando propor que os estudiosos ‘igualitaristas’ – frequentemente pedindo mais intervenção e ação dos poderes públicos para lidar ou resolver os ‘problemas’ associados às desigualdades – negligenciam repetidamente o papel que o próprio estado operaria na perpetuação e manutenção de desigualdades que ele próprio supostamente teria responsabilidade de atenuar. Não procurando legitimar qualquer ação governamental mesmo que supostamente compensatória, sem credenciar qualquer responsabilidade moral do governo para manipular ou gerenciar a ‘distribuição dos recursos’, a mensagem principal é, primeiramente, chamar a atenção para um eventual impacto das atividades governamentais no que possa dizer respeito às desigualdades, mas ainda, propor justamente que o erro dos analistas se encontra na busca de instrumentalização do governo para que fins redistributivos sejam atingidos.   

Leviathan

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pudemos perceber que a asserção inicial da retórica das desigualdades perde grande parte de sua força quando colocada diante dos obstáculos que a metodologia, a lógica e a teoria econômica apresentam. Ou seja, não somente a apreensão do que denominam desigualdades sociais ao longo dos períodos históricos é grosseiramente aproximativa, padece de verdadeiras ferramentas de mensura e não apreende realmente bem as questões relacionadas ao nível de vida, mobilidade social e progresso socioeconômico, mas ainda, esta apreensão dificilmente permite afirmar que o capitalismo e o comércio internacional – que supostamente engendram, perpetuam ou aumentariam progressivamente e irremediavelmente as desigualdades sociais entre indivíduos, grupos de indivíduos e nações – teriam terminado por tornar os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Superados estes paradigmas, nosso objetivo agora é esclarecer as supostas relações que existiriam entre as desigualdades e a maioria dos ‘males sociais’ das sociedades modernas, mais desenvolvidas ou em desenvolvimento.

n.b.: este texto é um trecho do dossiê consagrado às desigualdades, que ulteriormente vai ser disponibilizado integralmente em um único post, que inclusive foi publicado anteriormente.

Soldado do Morro

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Este dossiê pretende explorar algumas das principais questões envolvendo o que descrevem como ‘desigualdades sociais’. Por ser necessário a apresentação de um número não negligenciável de informações, referências e ilustrações, o trabalho será dividido em grandes etapas, cada uma realizando um estudo introdutório das principais linhas de argumento compondo o que descrevo como ‘retórica das desigualdades’. A primeira parte tem por objetivo introduzir e descrever o que isto quer dizer, apresentando o raciocínio e os argumentos aos quais se faz geralmente apelo para invocar e justificar as ‘políticas de combate às desigualdades’.

Na sequência, cada parte do raciocínio da ‘retórica’ será abordada brevemente ao longo de um trabalho fragmentado, que consagrará inicialmente sua atenção a uma abordagem institucional e em seguida a algumas questões metodológicas envolvendo as ‘desigualdades sociais’.

Gostaria de dizer que este dossiê não pretende ter por tarefa tratar exaustivamente as questões associadas às desigualdades sociais. Ele serve simplesmente de guia para quem queira compreender as minucias do raciocínio mobilizado pelos estudiosos e pelos grupos que teriam interesse em instrumentalizar politicamente o que descrevem como desigualdades. A ‘retórica das desigualdades’ seria então o conjunto dos principais elementos compondo o discurso e raciocínio mobilizado pelos grupos que instrumentalizam as ‘desigualdades sociais’ para alcançar seus objetivos políticos ou econômicos: sejam eles economistas, filósofos, moralistas, parlamentares ou candidatos políticos.

Caspar Friedrich 0

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O que é e onde fica a Zomia? Seria a Zomia outro exemplo território onde as sociedades presentes conseguiram fazer perdurar uma organização social que obteve sucesso em rejeitar o Estado? Este texto de Nicolas Delalande apresentou muito bem a obra do pensador anarquista James Scott, intitulada ‘Zomia, ou l’art de ne pas être gouverné’. Além de procurar fugir da rotina e dos temas habituais, o objetivo é fornecer em português uma descrição bem elaborada de um trabalho relativamente recente envolvendo antropologia política e sociologia. 

Zomia 5

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Este trabalho de tradução procura compartilhar mais uma série de escritos do jovem Aurélien Biteau, um recolho de artigos tratando, novamente, sobre o conceito de direito natural. O texto se dá por objetivo apresentar as quatro concepções históricas do direito natural, suas origens, seus fundamentos, e as ligações que existem entre elas. Aurélien realiza uma exploração introdutória da concepção clássica – que inclui o entendimento aristotélico e canônico – e da concepção moderna – que inclui o entendimento hobbesiano, lockeano e kantiano do direito natural. Ao longo desta apresentação, o autor procurou manter, além de uma descrição satisfatoriamente bem sucedida, um olhar relativamente crítico das particularidades de cada concepção histórica. Aurélien propõe, ao final desta exposição preliminar, uma revisão pessoal e releitura de alguns tópicos e determinadas contribuições realizadas mais recentemente por alguns dos mais relevantes autores do pensamento liberal contemporâneo. Esta série de artigos pode ser encontrada em sua versão original no sítio do quotidiano francês Le Contrepoints.  

Jacques Louis David Les Sabines
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Este segundo artigo da série procura apresentar por que a noção ‘custo social’ é tão importante para o raciocínio envolvendo a teoria tradicional do monopólio. Fazendo questionamentos relativos à sua pertinência, e sendo guiado por um raciocínio econômico relativamente bem elaborado, termino por contestar sua validade pratica, contestando também a concepção particular que lhe é conferida no plano teórico. 

Doré inferno2

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Esta série de artigos tem por interesse expor a fragilidade dos preceitos e conceitos estabelecidos pelo que denomino ‘retórica do monopólio natural’. Não pretendo, nesta série de artigos, me fundamentar no arcabouço teórico dos autores da dita escola austríaca de economia – ou matar uma formiga com uma bazuca, pois farei isto em outro artigo tendo o mesmo tema e propósito. Na presente série, apresentarei apenas os questionamentos tirados das colaborações decorrendo, ‘grosso modo’, da própria análise e teoria tradicional.

Neste primeiro texto introdutório, procuro apenas reescrever precisamente o que chamo de ‘retórica do monopólio natural’, apresentando e revisando os principais fundamentos da teoria tradicional do monopólio e facilitando a apreensão das idéias subjacentes para que, nos próximos artigos da série, se possa expor mais claramente os limites da abordagem neoclássica: uma teoria álibi justificando a renda política e econômica obtida por governos e corporações. Ao leitor que já conhece perfeitamente a teoria tradicional do monopólio, sugiro uma leitura desinteressada do presente texto, com intuito de fazer marcar as principais linhas argumentativas disto que descrevi como ‘retórica do monopólio natural’.

Infer

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